25 de janeiro de 2011

Ah, São Paulo...

25 de janeiro. Aniversário de uma das cidades que mais me desperta inquietação. 


Gostava de São Paulo antes de conhecer e, quando pisei o pé naquela confusão, foi amor à primeira vista. Lembro até hoje da primeira impressão que tive da cidade: prédios e mais prédios na saída do metrô na Estação República. A escada rolante subia e ia, aos poucos, me inserindo naquela imensidão. Esta é a palavra. São Paulo é imensidão.

Até hoje, uns três anos depois, é assim. Uma pena minha relação com essa cidade ser - ainda - tão distante. É como um amor que teve encontros esporádicos e intensos, mas ainda não encontrou a chance de acontecer de verdade. Uma ligação que parece vir de outras vidas. Uma energia diferente, que revigora, dá ânimo, vontade de viver.

Procurar CDs legais na Galeria do Rock, caminhar pela Paulista, sentar em um barzinho na Vila Madalena, admirar a vista (e que vista) do Edifício Itália. São Paulo é simplicidade. E não tem correria, metrô lotado ou céu cinzento que me façam mudar de ideia. É paixão para o resto da vida.

De uns tempos pra cá ando "perdendo" amigos queridos pra essa gigante. Mas não fico triste. É mais um motivo para voltar, matar as saudades. São Paulo é reencontro. Quem sabe um dia eu não vou pra ficar? De qualquer forma, mesmo que eu não chegue a morar por lá, sinto que vai ser sempre assim. Um museu, um café, uma garoa...

São Paulo é São Paulo. Não há outra igual.

24 de janeiro de 2011

abismo

Conclusão de uma volta pra casa silenciosa e reflexiva:


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Enquanto os homens não conseguem entender o que é dito nas entrelinhas, as mulheres entendem entrelinhas onde elas simplesmente não existem.







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E é aí que fica o grande abismo da comunicação entre os sexos.




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(%#@*!!!)


23 de janeiro de 2011

mudar.

Meu blog tem alguns rascunhos guardados que, muitas vezes, são surpresa para mim mesma. O texto abaixo começou a ser escrito em março de 2009 e, quando li, hoje, vi o quanto a vida muda, as pessoas mudam, mas na verdade muita coisa continua exatamente do mesmo jeito. A ideia começou a ser desenvolvida há dois anos, mas eu poderia muito bem ter escrito nesta madrugada, depois de uma semana cheia de coisas novas. Mantenho o que pensei naquele verão, e acrescento algumas palavras deste dia de chuva...

É incrível como a correria - ou suposta correria - do dia a dia nos faz parar de observar as coisas. E a pressão do que precisamos fazer nos deixa aprisionados dentro de um mundo que pouco se assemelha àquilo que planejávamos tempos atrás. "Como insetos em volta da lâmpada", já dizia Cazuza, ficamos girando em torno de desculpas que encobrem uma rotina que incomoda, mas não fazemos questão de mudar por simples comodismo. E se acomodar com o que incomoda acaba virando rotina. Uma rotina que maltrata, machuca, mas que não nos esforçamos em mudar por simples medo de tentar. Sim, a vida é repetição.

Mudar é uma condição básica para a minha felicidade. Resolver viajar de ultima hora, trocar de função no trabalho, mexer no layout do meu Twitter, transformar o cabelo longo e enrolado em curto e liso, pintar a unha de rosa. Nem que seja pegar uma vaga diferente no estacionamento, ou mesmo beber uma xícara de café no lugar do chocolate quente de todas as manhãs. Preciso mudar o tempo inteiro para sentir-me viva. A mudança é alimento. Mas se é assim, por que o medo?

Não é fácil abrir mão do que temos pronto, cultivado há anos, e colocar no lugar algo incerto, que pode não funcionar. No entanto, mesmo com todos os pontos negativos que uma mudança possa trazer, eu prefiro me perguntar "Por que não?". O que dá errado é possível consertar, enquanto não dá nem pra saber se o que não aconteceu seria a melhor coisa da vida até então.

Nos últimos tempos comecei a perceber o quanto tenho me permitido tentar mais, experimentar mais e, por que não?, errar mais. Continuo mudando, agora com menos medo. Os anos passam e eu sou exatamente a mesma pessoa, mas extremamente diferente. Não sou quem imaginava que seria dez anos atrás, mas ao menos consigo olhar ao meu redor e, mesmo no meio de toda a correria, perceber a beleza de um por do sol nessa cidade que tem o céu mais lindo que já pude ver. E quando paro para pensar nesses detalhes agora, que o tempo é curto até para ir ao cinema, vejo o quanto que a vida tranquila que levava até uma semana atrás é que me deixava cega e acomodada.

9 de janeiro de 2011

o amor que fica.

Compartilhar reflexões sobre a vida com outros andarilhos nesse domingo preguiçoso me faz pensar em muitas coisas... e estar no início do primeiro mês de um novo ano transforma esses pensamentos em um misto de nostalgia com esperança que é gostoso de sentir no peito.

Dia desses eu recebi um e-mail que tinha a melhor definição de saudade que eu já vi: "Saudade é o amor que fica". E não é mesmo? Quando alguém vai embora e nos deixa amor, sentir saudades é inevitável. Mas o lado bom é pensar que ela nos deixou o que de melhor havia nela. O sentimento mais lindo.

Tenho sentido muitas saudades esses dias. Da minha época na escola há uns 10 anos, dos amigos da faculdade há uns dois, das amigas que não vejo há 15 dias, dos meus avós que deixei no Piauí há apenas dois. Das besteiras que eu fiz, das alegrias que tive, das paixões que não vivi. Mas ao contrário do que possa parecer, esse sentimento não vem acompanhado de tristeza. Engraçado como ultimamente tenho transformado a saudade em algo bom... e quando paro pra pensar, vejo que tudo isso, na verdade, é amor.

Depois de muito trabalho no dia 1º e nove dias totalmente off, amanhã começa oficialmente o meu 2011. E eu já tenho saudade desse ano simplesmente pelo que ele promete ser. Ano de sonhos realizados, de antigas vontades retomadas, de metas, de trabalho, de viagens, de saudade, de amor. Prefiro não fazer planos e conter as expectativas. A partir de amanhã, serão 355 dias para realizar, à medida que a intuição mandar e a vida permitir.


Um quê de Clarice

Hoje bateu uma saudadinha da minha companheira de besteiras de todas as manhãs, que nas horas vagas também é blogueira no Gone with the wind. E olhando o blog dela reli esse textinho que achei sensacional. Um quê de fluxo de consciência, um quê de Clarice Lispector. Me identifiquei muito, claro. :)

Vejam aí:

Com uma mochila na mão e R$ 20 foi ao topo do mundo e nunca mais voltou. De estrada em estrada nada mais importa - o mundo é pequeno demais para o tamanho do universo. Descobriu que o céu é uma etapa: pessoas voam, pássaros respiram dentro d'água, peixes têm pés no chão. Perguntas e respostas foram dissociadas. Ao lado de casa mora alguém que nunca viveu, na outra parte da rua, aquele que cansou de morrer a todo instante. E o tempo? É escritor.

Dia 1° de mês nenhum: eu nasci.

Por Larissa Garcia
em 6/12/2010