22 de março de 2011

ausência presente

Ao som de Shakira na noite dessa terça-feira meio sem gracinha, comecei por algum motivo que não me lembro a vasculhar o blog da Dri, minha amiga-irmã que mora longe, mas está mais presente na minha vida do que muitos que eu vejo todos os dias. Somos muito diferentes em alguns pontos, e extremamente parecidas em outros, por isso sempre me deparo com algo que diz o que estou sentindo no momento. E hoje eu reli um dos textos dela que mais gostei. Taí um pedacinho:


Confesso: estou à espera do amor. Espera mesmo, não procura. Porque procura, para mim, é desespero, agonia, falta de esperança. E eu, definitivamente, espero. Já morri de raiva de todos os homens e disse que não queria mais gostar de nenhum. Mas, quando percebo, já estou olhando para os lados na rua, nas festas, em todo canto, perguntando se “ele” – o amor – pode estar por aí. Demoro mais a dormir e enrolo para levantar porque fico imaginando como ele é, do que gosta, onde está. Às vezes fico roteirizando nosso romance. Já temos uma rotina, sei aonde vamos, o que vamos assistir, que músicas vamos ouvir juntos. Tenho frases prontas para dizer a ele, abraços preparados para recebê-lo, segredos para contar.

Quando tenho problemas ou um dia difícil, procuro no celular o número dele para ligar e pedir colo. Quando sinto dor nas costas, fecho os olhos e o imagino me fazendo uma massagem. Quando como besteira ou fico sem comer, ouço ele me dar bronca, dizendo que tenho que me cuidar. Quando acordo, olho para o lado para vê-lo ali se espreguiçando. Mesmo sem existir de verdade, ele é uma ausência mais presente do que tudo o que existe.

Por Adriana Caitano em 22/6/2010

15 de março de 2011

mafalda

Era sábado, 20 de fevereiro de 2010. Eu só tinha mais uma manhã em Buenos Aires e queria, a todo custo, encontrá-la. Depois de passar a noite na balada, apenas tomamos um banho e resolvemos encarar o (agoniante) metrô da cidade - o mais antigo da América Latina, com quase cem anos. Apesar da tempestade que havia caído no dia anterior, o clima era quente e abafado como no litoral brasileiro. Entrar em uma das estações para pegar um trem tornava a situação ainda mais insalubre, com todo respeito à capital hermana - cidade mais charmosa que já conheci, por sinal. Mesmo assim, pegamos o mapa e fomos para o outro lado da cidade. Destino: bairro de San Telmo.

Depois de chegar à estação e caminhar por uns cinco minutos, chegamos. Lá estava ela, em uma pracinha entre as ruas Chile e Defensa, sentada em frente ao prédio onde seu criador Quino a criou e morou por boa parte da vida. Uma boa aventura pra encontrar a menina que ama Beatles e Pica Pau. Muito bom relembrar esse dia.

Hoje Mafalda completa 49 anos, com "corpinho" de seis. :) ¡Feliz cumpleaños!

 
¿No será acaso que ésta vida moderna está teniendo más de moderna que de vida?

10 de março de 2011

Presente dos Filhos de Gandhy

Passei o carnaval deste ano em Recife e Salvador a convite da Ambev e fiz uma matéria que, infelizmente, acabou não sendo publicada no jornal. Mas a curiosidade é legal e vale para todos conhecerem. E às meninas que ainda pretendem passar um carnaval na Bahia: cuidado! hehe =)

O carnaval baiano é cercado de tradições que envolvem não apenas música, mas religião, cultura e diversos tipos de arte. Com o passar do tempo, o axé que tradicionalmente dá o tom das festas por circuitos como Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande) ou Batatinha (Pelorinho) começou a abrir espaço para outros ritmos, como a música eletrônica, o frevo vindo do Recife ou até mesmo a música sertaneja. Este ano, desfilam em trios a dupla Jorge e Mateus e até Will.I.Am, do grupo Black Eyed Peas. Tão misturados e receptivos como a trilha sonora do carnaval brasileiro, os costumes que envolvem a história de alguns blocos também passam por transformações a cada ano de carnaval, inclusive do tradicional Filhos de Gandhy, que desfila pelas ruas soteropolitana desde 1949.

Com a filosofia inspirada nas mensagens de paz transmitidas por Mahatma Gandhi, o grupo formado exclusivamente por homens mistura a Índia com a tradição da religião africana e ganha as ruas de Salvador carregando sprays que deixam a avenida com aroma de alfazema, além de usar figurino característico: um turbante e fantasia de lencóis e toalhas brancas, para lembrar vestes indianas. Muitos artistas participam do grupo, entre eles o cantor Gilberto Gil. No último domingo (8/3), o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) assistiu ao desfile dos blocos do circuito Barra Ondina no camarote da cantora Daniela Mercury, e apareceu com um dos colares no pescoço. “Sempre o uso no carnaval, para mim é como um talismã”, disse.


O adereço que os integrantes do bloco carregam em volta do corpo dão o visual característico do bloco de Salvador: um grande mar azul e branco. As cores são referência ao afoxé que enfoca Oxalá, o orixá maior. Inicialmente usados como instrumentos presenteados para desejar paz durante o carnaval, os já conhecidos “colares dos filhos de Gandhy” passaram a ter outro significado.


Não se sabe o ano ao ao certo, mas entre os soteropolitanos mais novos que pulam o carnaval os colares azul e branco se uniram à outra diversão característica dos blocos de rua baianos: boa parte dos homens que desfilam no Filhos de Gandhy usa os acessórios para conseguir conquistar as mulheres que também brincam nas ruas. Cada colar passou a ser sinônimo de um beijo.

Há mulheres que negam de todas as formas terem ganhado os colares que carregam com um beijo de um dos Filhos de Ghandy, enquanto outras fazem coleção em volta do pesçoco. A estudante Ísis Machado, de 18 anos, cresceu vendo de perto a festa em Salvador e carregava, na noite de domingo - quando o bloco desfilou pelo circuito Campo Grande - oito adereços. “Não ganhei todos com um beijo não. Tenho alguns amigos e paqueras que participam no bloco e eles me deram”, afirma. Mas a baiana confirma como que alguns dos colares foram adquiridos. “Já é tradição aqui na Bahia a troca por um beijo”, diz.

Nem todos os homens que desfilam no bloco, entretanto, aproveitam desse costume  de Salvador para conquistas as mulheres na avenida. Ou ao menos garantem que não. O engenheiro Paulo Henrique Dias, de 25 anos, participa do grupo há quatro anos e afirma que já trocou muitos colares por beijo em carnavais passados. “Chegava beijar mais de 20 meninas por dia”, lembra. Este ano, ele parou de seguir a tradição porque começou a namorar.
“Agora sou comprometido, beijos só com ela.